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Revelações Tardias

✍️ Por Ricardo Silva 📅 12 de outubro de 2026 👁️ 0 visualizacoes 📖 3 min de leitura 📝 550 palavras

Aquela única indagação do Lucas me deixou completamente atordoado. Você já sentiu que os segundos se arrastam e o tempo parece parar? Em poucos momentos, criei e desfiz vários cenários, mas um deles ecoava mais forte: como assim, o Lucas sabia? Sempre soube? Como descobriu? Por quê? E o Igor, será que estava ciente de que eu existia? Eram perguntas demais e eu não tinha respostas para nenhuma.

— Gabriel, onde você está? — a voz dele surgiu baixa, sem os traços habituais do chefe confiante. — Estou voltando pra casa. — Espere aí. Vou te buscar. Desconectei sem me despedir e permaneci parado na calçada, com o telefone quente em minha mão. Menos de dez minutos depois, a SUV branca apareceu na esquina e parou em frente a mim. Hesitei antes de abrir a porta. Entrei, fechei-a e me encostei o mais longe possível dele, virando meu corpo para a janela e cruzando os braços.

O Lucas não acelerou; manteve as duas mãos no volante, com os olhos fixos no vidro da frente e a mandíbula tensa. Eu o conhecia bem o suficiente para perceber que ele estava escolhendo cada palavra como quem desarma uma bomba.

— Gabriel, me explique o que ocorreu — disse finalmente com uma voz firme que não ocultava a tensão.

— Qual é a verdade que eu descobri? — respondi, encarando-o profundamente nos olhos. Ele sustentou meu olhar por um instante antes de desviar.

— Gabriel... eu não sei nem por onde começar. E honestamente, nem sei se estamos falando da mesma coisa. — Ele passou a mão pelo rosto. — Mas prefiro ter essa conversa em um lugar mais reservado.

Ele deu partida no carro; o silêncio dentro daquele veículo carregava um peso desconhecido pra mim até então, nem durante minha volta de viagem ao litoral ou nas noites em hotéis eu havia sentido algo assim. Ele dirigia calado como se estivesse ensaiando as palavras antes de pronunciá-las; eu fazia o mesmo também.

Mil questões ardiam na minha garganta enquanto uma pontinha de esperança insistente sussurrava que tudo poderia ser apenas um mal-entendido. Minha mãe sempre deixara claro: Igor nunca soube sobre mim; apenas pediu para ela sumir e pronto. Então talvez Lucas também não soubesse nada.

Talvez ele estivesse só surpreso com minha demissão ou prestes a cometer um erro monumental; minha mente estava confusa.

Alguns minutos depois, o carro entrou numa rua larga da cidade e parou em frente a um portão alto: era a residência do Lucas, uma casa de dois andares impressionante. A família Costa era muito abastada; isso era evidente mas nunca havia juntado todas as peças: ele era proprietário da indústria, possuía terras ricas com rebanhos e plantações além das lojas alugadas na cidade grande onde Carlos e Ana moravam.

Apesar disso tudo, Lucas passava boa parte do tempo na fazenda; aquela casa no centro tinha um aroma de pouco uso por dentro. Era espaçosa e bem decorada com móveis caros porém impessoais.

Sentei-me na ponta do sofá mantendo postura rígida enquanto Lucas sentou-se à minha frente com uma mesa entre nós como uma barreira defensiva.

— Você quer beber algo? — perguntou ele.

— Não quero isso agora! Vamos logo ao ponto! — ordenar foi tudo que consegui fazer diante daquele clima tenso entre nós dois.

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