Entre Sombras e Decisões
A manhã seguinte chegou. Acordei tentando deixar para trás tudo o que havia acontecido com o Victor. Preparei-me rapidamente e segui direto para o hospital.
Lá, pude passar mais tempo com o Eduardo. Ele ainda estava sob intubação, seu peito subindo e descendo ao ritmo das máquinas, o braço e a perna imobilizados, a cabeça enfaixada. Segurei sua mão por um longo tempo, observando seu rosto pálido.
O médico entrou e explicou:
— Tentamos retirar a ventilação mecânica. Suspendemos a sedação por alguns minutos para ver se ele conseguia respirar sem ajuda.
— E como foi? — perguntei.
— Ainda é cedo. Ele não conseguiu. Então não se preocupe — respondeu o médico.
Permanecei ao lado do Eduardo após a saída do médico. Peguei o livro que ele estava lendo antes do acidente — um thriller policial com uma página marcada — e comecei a ler em voz baixa, como se ele pudesse escutar. As horas passaram lentamente. Eu folheava página após página, com os sons das máquinas como fundo musical, sentindo o aroma característico do hospital no ar. De vez em quando parava para observar seu rosto, apertava sua mão e prosseguia na leitura. O sol mudou de posição na janela; o corredor alternou entre agitado e silencioso novamente. Quando finalizei a última página, fechei o livro e me inclinei perto de seu ouvido.
— Até logo, querido. Amanhã estarei de volta…
As lágrimas começaram a escorregar pelo meu rosto.
— Isso tudo é por você, meu amor.
Deixei aquele lugar com os olhos vermelhos.
Rumei ao trabalho. Meu supervisor queria ter uma conversa comigo. Não fiquei chateada por ele não ter arcado com as despesas da cirurgia — isso não era obrigação dele — mas a falta de comunicação depois disso me incomodava bastante. Mesmo assim, ele não reclamou das minhas ausências.
Entrei no ônibus e tentei entender que tipo de evento seria aquele que Victor mencionara. Desci no ponto e fui caminhando até a clínica.
Ao chegar lá, Renata estava presente, já irritada com alguma situação qualquer. Assim que me avistou, disse:
— Amiga! Que bom te ver! Veio falar com o chefe?
Concordei com um aceno de cabeça enquanto a abraçava.
— E como está Eduardo? — perguntou ela.
— Ótimo! Está progredindo aos poucos — respondi.
— Que bom! — ela sorriu levemente.
— E você? Como estão as coisas com seu novo namorado?
— O Hugo já era! Ele é um idiota — falou seca antes de mudar rapidamente de assunto novamente. — Vamos lá! Vou te levar até o chefe!
No caminho até sua sala, um dos dentistas me cumprimentou cordialmente; as auxiliares também pararam para perguntar sobre Eduardo. Eu respondia sempre da mesma forma:
— Está progredindo aos poucos!
Quando nos aproximamos da porta do consultório, Renata comentou: bati na porta e entrei rapidamente enquanto Dr. Marques analisava algumas pastas em pé ao fundo. Ele olhou pra mim e sorriu: — Fiquei triste por não poder te ajudar nesse momento — continuou Dr. Marques — Mas acredito que ajudei de algum modo... Notei suas faltas no trabalho... — Eduardo está... — comecei, dele interrompeu: há certeza de que sei disso… Mas vamos fazer assim: você pode trabalhar meio período das 13 às 18h só para não deixar Renata sobrecarregada? n- Sim doutor! Concordo totalmente! nEle entregou-me um envelope: o seu salário completo sem descontar as ausências! Assim que Eduardo sair do hospital você terá férias merecidas! nLevantando-me agradeci sinceramente antes de sair encontrando Renata aguardando na porta tuido todo ansiosa: miga?' - O QUE O DR MARQUES QUERIA? - perguntou ela animadamente " n- Vou voltar à clínica amanhã mas em horário reduzido" - expliquei-lhe asseverante."- Sim.. boa escolha… nUma faxineira daqui está brava porque você vai ganhar férias assim que Eduardo tiver alta" - comentou Renata rindo."- Sim... eu sei'' resposta tua calma... nEla ficou curiosa perguntando:' 'Descontaram suas faltas?'' n'Por quê quer saber?' indaguei desconfiada.' n– Porque descontaram um dia quando fui visitar minha mãe ano passado','Respondi relembrando-a... ''Sim foram dois dias lembrados? Um pra ficar junto dela outro pra bronzear-se no morro.'' – Ok beleza porém noto algo estranho contigo.. Mas soube disso tudo!' disse baixinho" -- O QUE VOCÊ OUVIU NO MORRO?' iniciou ela intrigante.'Você anda saindo com Victor né amiga ?' -- Fala baixo alguém pode ouvir' pedi nervosa.'