Despertar Sob o Sol
Senti um leve toque no meu rosto.
Outro leve golpe veio. Abri os olhos por alguns instantes, mas tudo ainda estava completamente confuso. Tentei virar a cabeça para o outro lado, buscando uma posição mais confortável.
— Acorda, acorda, acorda, acorda.
Abri os olhos de verdade. Lila estava ao meu lado, com a mão levantada, pronta para me atingir novamente. Ela parou imediatamente ao perceber que eu finalmente despertei. Passei alguns segundos olhando para o teto, tentando entender onde estava e por que alguém estava me agredindo.
— Você parecia uma pedra — disse ela.
— Posso dormir mais cinco minutinhos? — fechei os olhos novamente.
— Não pode — ela abaixou a mão e me deu um leve tapa nas costas. — Levanta agora.
Suspirei e sentei na cama.
— Eu disse que você poderia me derrubar da cama, não me bater — olhei ao redor. — Cadê as outras duas?
— Já levantaram, tão animadas que nem conseguiram dormir mais.
Passei a mão pelo rosto; sentia-me estranhamente renovado. Depois de tudo o que enfrentei durante a madrugada, ainda percebia meu corpo um pouco letárgico. Coloquei os pés no chão e notei que meu polegar direito ainda doía quando tentei movê-lo.
— Você está bem? — Lila continuou me observando intensamente.
Ela parecia um pouco desconfiada, mas não insistiu. Peguei algumas roupas e fui para o banheiro. Um banho gelado ajudou a despertar; a água fria escorria sobre minha cabeça e fiquei parado ali por alguns momentos desfrutando daquela sensação.
Terminei o banho, sequei-me e retornei ao quarto. Abri uma mochila e comecei a colocar algumas roupas dentro dela. Não pretendia levar muitas coisas, apenas o básico para passar alguns dias fora. Após terminar, fechei a mochila e desci as escadas. Clara e Jéssica estavam à minha espera no andar de baixo. Clara foi a primeira a notar minha mochila.
— Vai viajar? Vai tirar férias? — Jéssica já se aproximava rapidamente. — Por que está levando uma mala?
— Vou ficar na casa da Maya e da Raquel por algum tempo.
A expressão dela mudou instantaneamente. Clara também fez uma cara que eu conhecia muito bem.
— Por algum tempo? — Clara questionou. — Decidiu isso sozinho?
— Não estou escondendo nada de vocês! Na verdade, quero que saibam de tudo isso — respirei fundo; sabia que aquela conversa poderia complicar rapidamente. — A Raquel teve um daqueles episódios de descontrole semelhante ao meu, e Maya também está presa no laboratório da Sofia; quero estar lá para garantir que ninguém saia ferido.
— Sem segredos? — Clara se aproximou mais, esquadrinhando-me com os olhos durante alguns segundos.
— Sem segredos! Prometo! — retribuí seu olhar firme e direto.