Último Dia de Aula
Sofia havia acabado de fazer dezoito anos e, oficialmente, não era mais estudante daquela escola. O terceiro ano tinha terminado há menos de uma semana. Mesmo assim, decidiu voltar naquela tarde para entregar um documento na secretaria.
Antes de ir embora, ela resolveu passear pelos corredores, afinal seria a última vez que visitaria aquele lugar.
Aquela parte do colégio estava deserta. Todos já tinham se retirado, ou pelo menos era o que pensava.
Foi ao passar pelo corredor do segundo andar que notou a porta da sala 214 entreaberta e a luz acesa.
O professor Paulo estava lá dentro, sozinho, corrigindo as últimas provas empilhadas sobre a mesa. Quarenta e sete anos, cabelo ralo nas laterais, óculos com armação fina e camisa social com as mangas dobradas. Havia quatro anos acompanhando seu desenvolvimento desde o primeiro ano do ensino médio até ali.
— Boa tarde, professor.
Ele levantou o olhar, surpreso, e sorriu com sinceridade.
— Sofia… que bom te ver. Você já tem aparência de universitária. Ao contrário da maioria dos alunos, você passou em todas sem recuperação. Fico contente por você! Vai realmente entrar na faculdade?
Ela entrou e fechou a porta atrás de si sem trancá-la ainda. O barulho do trinco ecoou pela sala vazia.
— Vou sim! Mas hoje vim por outro motivo.
Ela percebeu que naquele prédio estavam apenas os dois. Os poucos funcionários restantes estavam no terreno ao lado na sala da diretora.
Os pensamentos ousados dela começaram a tomar forma. Ela esboçou um sorriso inédito naquele ambiente que chamou a atenção do professor.
Paulo retirou os óculos e limpou as lentes com um pano velho, um gesto habitual dele.
Sofia caminhou até a carteira da frente e sentou-se em cima dela, balançando as pernas. O vestido curto subiu um pouco nas coxas. Ela optara por não usar calcinha naquele dia; achava desnecessário para o plano que tramava.
— Posso te fazer uma pergunta franca, professor? — falou num tom provocante.
— O senhor já se sentiu atraído dentro da sala olhando alguma aluna?
O silêncio seguinte foi pesado. Paulo abriu os lábios mas imediatamente os fechou novamente após engolir em seco.
— Isso não é uma pergunta adequada, Sofia.
— Eu sei! — Ela abriu um pouco mais as pernas, subindo o vestido ainda mais alto.
— Você nunca teve pensamentos sobre mim?
— Mas...que tipo de pergunta é essa...
— Ué! Nunca teve vontade? Nem hoje quando estou aqui com este vestido justo?
Ele permaneceu calado olhando em volta enquanto enxugava o suor da testa nervosamente.
— Existe algo importante... mas...
— Mas eu nunca tive relações dentro dessa instituição! Estranho isso depois de quatro anos juntos aqui!
— Já que é meu último dia aqui pensei que fazer isso com um professor… exatamente neste local seria interessante! Ele recostou na cadeira tentando disfarçar seu rosto já enrubecido pela vergonha ao mesmo tempo em que tentava resistir à tentação visível diante dele.