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incesto

O Retorno Sombrio

✍️ Por Carlos Silva 📅 13 de outubro de 2026 👁️ 0 visualizacoes 📖 3 min de leitura 📝 596 palavras

O pai despertou com o pescoço tenso e o gosto amargo de destilado na boca. A luz da manhã filtrava-se pela janela da sala. A garrafa vazia estava caída ao lado do sofá. Ele se levantou, cambaleando, a cabeça pulsando, e dirigiu-se à cozinha para beber água. Foi nesse momento que notou. A porta dos fundos estava destrancada. O coração disparou. Subiu as escadas dois degraus de cada vez. A porta do quarto de Isabela estava entreaberta. A cama desarrumada. O pijama que ela usava para dormir jogado no chão, sujo de terra e manchas claras. O aroma no quarto era o mesmo daquela primeira manhã: sexo, suor masculino, terra.

Ele entrou e pegou o pijama. O tecido ainda apresentava umidade em alguns pontos. O odor subiu forte. Terra. Droga. Mulher. O pai fechou os olhos com força, como se pudesse apagar o que os sentidos confirmavam. Ao abrir os olhos novamente, viu marcas de pé descalço no piso de madeira, saindo do quarto e seguindo pelo corredor. Desceu apressadamente. A porta da garagem também estava aberta. O carro permanecia ali, mas o assento do motorista e o carpete do lado do carona estavam sujos. Havia terra e manchas visíveis.

Ele passou a mão sobre o assento e sentiu um resíduo pegajoso sob seus dedos, exalando o mesmo cheiro familiar que já havia sentido antes. O pai retornou para dentro da casa como um sonâmbulo perdido em pensamentos obscuros; subiu novamente as escadas, mas Isabela não estava lá.

O quarto vazio clamava por sua presença ausente; ele se sentou na beira da cama desfeita, segurando o pijama sujo ainda nas mãos enquanto fitava um ponto sem vida à sua frente.

Quase uma hora depois ela chegou enfim; entrou pela porta da cozinha sem pressa aparente, vestindo uma camisola nova agora manchada mais uma vez, cabelo embaraçado e pernas sujas até os joelhos.

Quando avistou seu pai sentado na cama dela, parou na entrada sem hesitar; não abaixou a cabeça ou tentou justificar suas ações.

O pai levantou o olhar pesado: a voz saiu rouca e quase inaudível: — Você voltou lá? Isabela apenas fez um aceno afirmativo: — Voltei. — Com aqueles mesmos? — Com eles mesmo... E eles me tomaram outra vez... Os três juntos,

O silêncio após isso foi mais ensurdecedor do que qualquer grito poderia ser; ele apertou o pijama sujo nas mãos até os nós brancos dos dedos denunciarem sua tensão crescente." Em um instante a violência pareceu iminente; então ele falou em voz baixa: — Você se tornou um monstro.

Isabela deu um passo adiante no quarto; o perfume de sexo e terra invadiu o espaço junto com ela; parou diante do pai sem desviar seu olhar penetrante e ergueu a barra da camisola revelando marcas evidentes sobre seu corpo — Aqui está — disse ela serenamente — é tudo que ficou deles em mim... Quer cheirar? Quer ver bem de perto como sua filha se transformou?

O homem desviou a face como se tivesse recebido um tapa inesperado; levantou-se abruptamente empurrando Isabela para lado enquanto deixava rapidamente aquele ambiente dantesco.

Ela ouviu os passos pesados descendo as escadas seguidos pelo estrondo violento da porta batendo atrás dele.

Isabela permaneceu parada no meio do quarto com a camisola ainda erguida enquanto as rampas evocavam ecos dolorosos na memória dela; depois baixou lentamente o tecido, depositando-se na cama desfeita enquanto explorava seu próprio corpo delicadamente com os dedos penetrando onde as experiências daquela noite haviam deixado suas marcas, enquanto seu pai tentava desesperadamente evitar enlouquecer fora daquela casa ou talvez dentro dela.

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