A Decisão de Carla
Eu e Ricardo chegamos ao hospital particular. O médico apareceu rapidamente, já estava ciente da situação e falou:
— Vamos levá-lo para a cirurgia da fratura na perna imediatamente. Mas antes iremos realizar alguns exames.
Assim foi feito. Os exames foram realizados rapidamente. Depois o médico voltou e disse:
— Dona Elisa, seu esposo foi levado para a mesa de cirurgia.
A recepcionista se aproximou em seguida:
— A senhora prefere pagar agora ou deixar para depois da cirurgia?
Devido à gravidade da fratura, além dos honorários do médico e da equipe, eu paguei trinta mil reais imediatamente. Depois perguntei:
— Quanto custará a outra cirurgia, a da cabeça?
— Somente o médico pode informar isso — respondeu ela.
Os minutos seguintes foram angustiantes. Eu olhava incessantemente para o relógio na parede, depois para a porta do centro cirúrgico, e voltava novamente ao relógio. O corredor era silencioso demais. Cada passo dos enfermeiros, cada porta que se abria fazia meu coração disparar. Eu orava pela saúde do meu marido mesmo não sendo praticante de uma religião. Pedia em silêncio que ele acordasse, que tudo ficasse bem. Meu celular vibrava sem parar com mensagens de amigos e familiares perguntando por novidades, mas a ordem de Lucas — de que assim que a cirurgia terminasse eu deveria informá-lo — me deixava ainda mais nervosa.
Finalmente o médico apareceu sorridente.
— A cirurgia foi um sucesso — anunciou.
Uma onda de alívio percorreu meu corpo. Minhas pernas tremeram e eu soltei o ar que estava prendendo há horas.
— A próxima cirurgia será amanhã cedo — continuou ele.
— Quanto vai custar, doutor? — indaguei prontamente.
— Cirurgia para traumatismo craniano, mais a internação… além disso precisaremos mantê-lo em coma induzido por mais algum tempo. O valor fica em torno de cinquenta mil.
Eu fiquei paralisada por um momento antes de sentar pesadamente na cadeira. Só tinha restado vinte mil reais.
Agradeci mentalmente pelo sucesso da primeira operação. Respondi às mensagens da Gabriela e outros amigos contando as boas notícias. Em seguida olhei para meu celular: era hora de ligar para Lucas.
Senti uma mistura de angústia e ansiedade… além de uma curiosidade obscura que não conseguia controlar.
Peguei o celular mas não tinha o número dele salvo. Fiquei encarando a tela em branco pensando: como vou fazer isso agora?
Virei-me para a recepcionista: — Você poderia me informar se posso entrar para ver meu marido? — Vou verificar isso. Fiquei ali aguardando alguns minutos até que ela retornou dizendo: — Não é possível agora. Apenas amanhã antes da outra cirurgia. Me entregou um papel com as informações: horário da cirurgia do traumatismo craniano, comprovante do pagamento realizado hoje e uma série de exames feitos desde o hospital público até os realizados aqui no particular. — Obrigada — agradeci eu. Saí dali, chamei um motorista pelo aplicativo e fui para casa. Ao chegar tomei um banho imediato. A água quente escorria pelo corpo e ao sair me senti um pouco mais leve. O celular tocou logo em seguida. Ao atender era a voz profunda de Lucas: — Carlinha… que bom saber que tudo correu bem! Mas você não me ligou ainda... — Desculpe… eu não tenho seu contato — gaguejei nervosamente.