O Pecado e a Dama – Episódio 49 (Ana, forte, admirada e submissa)
Entrar na casa do Tio Roberto pela primeira vez foi uma experiência que eu nunca imaginei que se tornaria tão intensa. Mal sabia que ali, em 2025, eu descobriria os limites da minha submissão de forma tão sofisticada.
Fomos recebidos calorosamente por Laura e nosso anfitrião. Aqueles encontros passaram a fazer parte da nossa rotina, e a intimidade foi crescendo com o tempo.
As conversas eram cheias de sabor, muito acima do comum, e eu sempre ficava excitada ouvindo Roberto falar, o que deixava o meu desejo à flor da pele. Sem dúvida, depois eu pagava o preço por isso, acabando por ser devorada pelo meu amante.
Após o primeiro jantar, voltamos para casa já de madrugada e encontramos Mariana e Letícia dormindo. Naquela época, já havíamos comprado uma cama de casal e decorado o outro quarto. Mariana tinha chegado na sexta-feira e ficaria uma semana conosco. 2023 estava chegando ao fim, e a despedida se aproximava. Eu estava de férias dos dois colégios e da faculdade, mas o trabalho com a Casa da Dama continuava a todo vapor.
Eu e o Pecado nos entregamos a uma noite de paixão desenfreada, algo que se tornou a rotina de nossas vidas. Letícia estava mais concentrada em reatar os laços com sua parceira carioca. A felicidade delas juntas era inspiradora e, enquanto me deixava feliz, também me trazia lembranças nostálgicas da minha rainha.
Quase já morava com o Pecado. Nossos pais, claro, sempre incentivavam nosso relacionamento, como se fôssemos um casal. Então, em janeiro de 2024, Lucas e João nos surpreenderam com uma notícia deliciosa. Sem que soubéssemos, marcaram nossos casamentos para fevereiro, durante o carnaval, em Porto Seguro. A intenção era aproveitar os feriados para reunir nossas famílias e alguns amigos íntimos em uma cerimônia num resort, onde também passaríamos a lua de mel.
- Meu amor, luz da minha vida, eu tenho uma proposta para você e não aceito não como resposta - disse ele, em um jantar à luz de velas em um restaurante aconchegante de Salvador, onde decidimos passar o final de semana.
Ele tirou uma caixinha com as alianças e me mostrou com um sorriso no rosto.
- Hoje, essa aliança vai para o dedo direito. Daqui a um mês, ela vai para a mão esquerda.
Não é preciso dizer que eu comecei a fazer bico e soluçar, com os olhos cheios de lágrimas, lembrando da noite em que me beijou pela primeira vez e me pediu em namoro.
Ao mesmo tempo, Lucas estava fazendo a mesma coisa com Letícia no Rio de Janeiro, o que descobri em uma chamada de vídeo. Difícil dizer se foi o dia mais feliz da minha vida, pois aquele homem me proporcionava tantos dias felizes. O certo é que eu disse sim, cheia de emoção, quase explodindo de alegria.
A cerimônia aconteceu no sábado de carnaval. Estávamos cercados pelas nossas famílias, Mari e Letícia. Nossa lua de mel foi muito diferente, cheia de reuniões familiares, carnaval, praia, piscina e todas as delícias de um resort.
Simbolicamente, era também nosso casamento com Letícia e Lucas. Na primeira noite, cada casal ficou em seu quarto. Na segunda, trocamos. Eu dormi com Lucas enquanto o Pecado ficou com Letícia. E claro que "dormir" é um eufemismo para o que realmente aconteceu. Especialmente nas duas últimas noites, quando ficamos os quatro no mesmo quarto. Mariana e Letícia voltaram para o Rio no dia seguinte à cerimônia, pois tinham compromissos.
Quando o carnaval terminou, eu era oficialmente a mulher do homem da minha vida. Na verdade, dos homens e da mulher da minha vida. Foram dias mágicos, principalmente porque as famílias se uniram de uma forma incrível.
Sem Letícia, eu já estava acostumada com a ideia de dividir o apartamento apenas com o Pecado. Meu dono já tinha terminado a faculdade de administração e agora estava fazendo uma pós em marketing. Como mencionei, a inauguração da loja online e física no Rio foi um verdadeiro sucesso, impulsionado por nossa presença nas redes sociais e nosso canal no Youtube.
Eu estava no último ano da faculdade, mantinha dois trabalhos em escolas e ainda tinha várias atividades relacionadas à Casa da Dama, escrevendo artigos, participando de entrevistas com autores e das nossas lives diárias, que gravávamos sempre no final da noite. Agora, Letícia e Mariana também participavam do estúdio, e eu entrava online.
É fácil imaginar que nossa vida era corridíssima. Além de nossas famílias, Tio Roberto e Laura eram praticamente nossa única vida social. Ambos se mostravam encantados com o trabalho que realizávamos. Com o tempo, surgiu a ideia de escrever um livro, que seria lançado perto do final daquele ano. "Amor, desejo e liberdade de expressão", foi como batizei meu projeto.
Baseando-me na minha própria experiência, sempre defendi que sexo, amizade, amor e desejo não devem ser separados e confinados em normas rígidas. Ao contrário, podem coexistir de forma harmoniosa, formando laços poderosos, construídos com base em prazer, lealdade, entrega, tolerância e cumplicidade.
Na verdade, expressei no livro aquilo que vivenciava e que me permitia ser uma mulher livre, feliz e realizada em todos os aspectos. Não cresci com essas crenças, foi minha história que me moldou. Minha vida e a dessas pessoas especiais que me rodeiam, com quem aprendi que é possível e saudável encarar o amor de uma forma diferente.
Tudo começou com Letícia e Lucas. Lembro do drama que foi, no início, perceber que meus sentimentos por Lucas se tornaram os de uma mulher por um homem, que envolviam muito mais do que sexo. Como poderia uma mulher plena, apaixonada pelo homem da sua vida, se apaixonar por outro? Apesar de ter sido criada com a mente aberta, aquilo parecia incompatível.
Mergulhar naquela nuvem de incerteza e culpa foi um processo que me levou a entender, no fim das contas, que Letícia e Lucas foram presentes da vida para eu amar e ser amada, assim como Mariana e o Pecado, que vieram depois, e Fernanda, minha loirinha travessa.
Todas elas são pessoas que amo, por quem sou apaixonada e nutro uma profunda amizade e admiração. Cada uma, à sua maneira, me permite expressar minha sexualidade de formas diversas, sem neuroses, experimentando o prazer em suas múltiplas facetas.
O receio de que aceitar meus sentimentos por Lucas, aquele presente maravilhoso que a vida me deu, pudesse desestabilizar meu relacionamento com o Pecado nunca me pareceu uma preocupação trivial. Hoje, porém, vejo que tudo que vivemos só fortaleceu ainda mais nosso vínculo. Trabalhamos juntos, temos a mesma empresa e compartilhamos os mesmos amores.
Aliás, em breve teremos mais um membro na família, a nova Dama. Embora Lucas tenha planejado a chegada de trigêmeos, na verdade, será uma linda menininha, que se chamará Ana Clara. Se fosse menininho, seria André. Quando nós tivermos o nosso bebê, se for menina, será Aysha, e se for menino, Gabriel.
Letícia está desesperada com tanto mimo. Não basta ter o pai, ainda temos as duas famílias, Mariana e Fernanda. De submissa, Letícia se tornou um verdadeiro adorável tesouro. Na última vez que nos encontramos pessoalmente, em uma viagem ao Rio, Letícia estava com cinco meses de gestação. Eu e João passamos horas acariciando a barriga da nossa esposa, que é simplesmente deslumbrante. Além disso, a paixão por aquela mulher cresce ainda mais agora que ela está esperando uma Dama.
Nossas interações com Tio Roberto e Laura nunca foram de natureza sexual. Pelo menos, assim foi no começo. Eram horas de conversas agradáveis, acompanhadas de drinks, cervejas e jantares deliciosos, que frequentemente eu e Laura preparávamos. Depois que Mariana se mudou para o Rio, passamos a nos reunir em sua casa nas noites de sexta ou sábado.
Passamos muitas horas com nossas famílias, indo ao clube ou à nossa casa na serra. No clube, eu chamava atenção com meus biquínis, e o Pecado ficava completamente paralisado ao notar quantos olhares me seguiam. A exclusividade que encontramos parece ter mexido com nossa dinâmica sexual. Lucas ficava louco de desejo, e por que não dizer? Eu também, quando me tornava o centro das atenções masculinas e até femininas.
O resultado disso era que terminávamos as noites nos aquecendo. Foi quando Amanda, que já era próxima de mim, se aproximou de Lucas. Nem preciso dizer o quanto eu estava mal-intencionada ao incentivar essa aproximação. Quanto mais íntimos eles se tornavam, mais excitada eu me sentia. E o Pecado sabia disso.
Ele me conhecia e deixava minha imaginação voar alto.
Um certo sábado, já casados, convidei Amanda para ir até nossa casa. Estariam lá Tio Roberto e Laura. Amanda hesitou um pouco ao se deparar com a ideia de serem apenas dois casais, mas acabou aceitando quando lhe falei sobre os convidados. Após o treino, fomos direto para casa. Logo depois, chegou Laura, que já era uma amiga íntima, e fomos juntas preparar o jantar. Lucas estava no futebol e depois ficaria na resenha com os amigos. Ele só chegaria no começo da noite, um pouco antes de Roberto.
Assim tudo foi feito e o casal foi embora por volta da meia-noite. Convidei Amanda para passar a noite em nossa casa e lhe ofereci um dos meus baby-dolls para que ficasse à vontade. Ela dormiria em nosso quarto de hóspedes.
Amanda hesitou um pouco, mas, devido ao horário avançado e à possibilidade de prolongar a conversa, acabou concordando. Minha amiga era morena, quase tão alta quanto eu, e tinha um corpo perfeito, com uma bunda incrível, alvo das nossas fantasias.
Eu sabia que ela não era fã de mulheres, mas isso não era um problema, pois não era essa a minha intenção. Ela chegou de minissaia e um cropped, mostrando sua barriga e toda sua beleza ao Pecado, mas naquele dia, o que aconteceu foi apenas uma conversa que às vezes flertava com o sexo, mas sem que ultrapassássemos os limites.
Mas isso foi o suficiente para incendiar nosso quarto pela madrugada. Aquela foi apenas a primeira vez. Eve...