Entre a Distância e o Desejo
— Então é isso? — Lucas questionou.
Ainda estávamos de mãos dadas.
— Isso o quê? – respondi.
— Você vai me afastar assim tão facilmente?
— Eu não estou te afastando.
Soltei o ar pelo nariz.
— E você quer que eu faça o quê?
Ele deu de ombros, mas ainda segurava minha mão.
— Sei lá. Faça uma cena dramática.
— Derruba a mesa. Chora. Diz que não consegue viver sem mim.
— Nossa. Você quer muito me humilhar – eu disse rindo.
Eu sorri, e ele também. Contudo, o sorriso dele durou menos tempo.
— Você está falando sério sobre ir embora? – perguntei.
Lucas acariciou meus dedos com seu polegar.
— Isso não é uma resposta.
Ficamos em silêncio. Do balcão veio o barulho de uma garrafa se chocando contra outra, alguém aumentou a televisão. Um casal passou atrás de Lucas, fazendo-o puxar a cadeira mais perto da mesa.
— São só quatro horas de moto — ele comentou.
— A estrada é bastante arriscada – respondi preocupado.
— Você vai continuar seus estudos.
— Vai prestar vestibular no próximo ano?
— Então por que essa expressão, como se estivéssemos nos separando?
A pergunta ficou pairando entre nós. Passei o dedo pela borda do copo vazio.
— Porque talvez tenha chegado ao fim da parte fácil.
Lucas inclinou a cabeça levemente para um lado.
— A parte de te encontrar sempre que posso?
Ele abaixou os olhos para as nossas mãos entrelaçadas.
— Não, isso não pode ser uma despedida definitiva — murmurei, ainda sem saber como lidar com a situação. Ele continuou: — É mais simples gostar de você quando achava que nada disso seria sério.” ainda sem saber como lidar com a situação.