Desnudada na Calçada
Eu havia acabado de alcançar o clímax na calçada, diante daquele ginecologista que também atuava como sexólogo, e foi exatamente ali, naquele estado de total vulnerabilidade e abandono, que ele me deixou — sem roupas, sem alternativas — e o último arrebatamento do orgasmo ainda percorria meu corpo quando percebi onde estava e o que acabara de ocorrer. Meus músculos estavam tensos; as pernas tremiam em consequência do prazer intenso que havia liberado. O líquido quente escorria pela parte interna da minha perna esquerda até quase chegar ao joelho. Meus mamilos estavam tão duros que doíam ao entrar em contato com a brisa. Cada respiração mais profunda trazia de volta uma sensação intensa, como uma onda interminável.
Permanecei imóvel. Fixei os olhos no chão. O cimento áspero da calçada sob meus pés descalços me trouxe de volta à realidade. Carros passavam rapidamente, e estranhos caminhavam pela calçada. Eu estava ali, completamente nua, na calçada, praticamente exposta à rua, com o aroma do meu próprio prazer ainda pairando no ar. A minha intimidade pulsava vazia e ainda contraída após o orgasmo recente; a umidade entre as pernas servia como um lembrete vívido de tudo que tinha acontecido momentos antes.
Ele já estava se afastando, caminhando firmemente de volta para dentro do consultório com passos decididos, a calça social ajustada ao corpo ditando o ritmo das suas pernas. A porta estava entreaberta; ele empurrou-a com uma mão apenas, sem olhar para trás, desaparecendo pelo vão.
"Preciso voltar para me vestir e ir embora." O pensamento surgiu claro em minha mente, como uma ordem imposta por mim mesma. Mas meu corpo não reagiu; os pés permaneceram colados ao piso duro. As mãos pendiam ao lado do corpo sem saber se deviam cobrir os seios ou a intimidade ou simplesmente ficar onde estavam. A vergonha invadiu primeiro meu peito como uma pressão crescente que subiu até meu rosto quente; depois veio a culpa pesada no estômago; por fim, o arrependimento — esse chegou lentamente como uma pedra lançada na água que revela seu impacto segundos depois.
Assim que finalmente movi uma perna ouvi o clique da fechadura — a porta do consultório bateu seca: trancada.
Corri. Meus pés descalços golpearam o concreto frio enquanto minhas tetas balançavam a cada passo sob a gravidade da situação repentina. Não pensava em cobrir nada; apenas queria chegar até a recepção para apertar o botão do interfone e chamar aquele médico novamente para explicar que precisava das minhas roupas.
Meus pés apressaram-se em cada passada sentindo cada centímetro do meu corpo exposto — o vento soprando na pele da barriga e dos quadris era quase insuportável entre as coxas úmidas ainda encharcadas pela experiência anterior. Ao chegar à portaria avistei um pilar sustentando o portão com um interfone na parede atrás dele; olhei pelas janelas de vidro: a recepção estava vazia. Sem ninguém nas cadeiras giratórias ou computadores ligados — apenas silêncio.
Foi então que avistei um papel colado próximo ao interfone com fita adesiva amarelada sobre ele: Era letra dele — rápida e inclinada para direita com traços finos reconhecíveis imediatamente por mim: "Tenho acesso direto ao estacionamento; já levei suas roupas embora! Agora você tem uma desculpa perfeita para sair nua! Aproveite sua nudez... sei que você gosta disso! Quando chegar em casa me ligue para agendarmos outra consulta."
Li duas vezes: na primeira passei apressadamente os olhos pelas palavras; na segunda vez absorvi cada frase lentamente como se fossem socos diretos no estômago.
ele tinha levado todas as minhas roupas: blusa, calça, calcinha, sutiã e sapatos! Ele entrou no consultório pegou tudo e saiu por outra entrada desconhecida por mim acessando diretamente o estacionamento enquanto eu permanecia parada lá fora nua, vibrante sob vergonha enquanto refletia sobre todo aquele constrangimento.