Carnaval Inusitado
Aquele parecia ser um carnaval como tantos outros: quente e sem graça. Nos anos 80, o carnaval de rua no Rio era quase uma raridade, limitado essencialmente aos desfiles das escolas de samba e às festas em clubes. A maioria das pessoas aproveitava a época para viajar, como quase todos os meus amigos e conhecidos fizeram. Para aqueles que ficaram, como eu, a praia era a única opção, já que não me animava a passar pelo coreto simples montado pela prefeitura no centro da região.
Na manhã de sábado de carnaval, saí de casa por volta das 10 horas e fui até o ponto pegar o ônibus rumo à Barra. No caminho, comecei a notar uma movimentação e ouvir música típica dessa época do ano. Um grupo de rapazes vestidos como mulheres passou por mim fazendo gracinhas. Não podia acreditar: era o famoso Bloco das Piranhas, presença comum em muitos bairros, onde homens se vestiam de mulher para brincar durante o carnaval. Ou talvez fosse mais do que apenas brincadeira, segundo minha mãe.
Fiquei surpreso ao ver que as duas figuras vestidas com trajes coloridos segurando uma faixa eram Dr. Silva, um advogado conhecido na área com escritório na rua principal, e seu amigo João Carlos, que acredito trabalhar no governo. Ambos estavam apenas com um top e fio dental que deixava suas partes traseiras expostas! Fui agradavelmente surpreendido com aquela cena: ambos pareciam muito bem para a idade - deviam ter cerca de 45 anos! Como tudo muda!
O Dr. Silva era alto, próximo dos 1,90m e começando a ficar careca. Não esperava que seu corpo magro sob o terno fosse tão definido; quase um exemplo do que chamamos hoje de falso magro! Os braços dele eram musculosos e tinha um bumbum bem acima da média do que aparentava quando vestido! Quando ele se virou por um instante, percebi um volume considerável em sua virilha brigando contra aquela pequena calcinha prateada.
João Carlos também foi outra surpresa agradável! Ele tinha traços muito bonitos e eu não sabia que ele era tão atraente; não tão alto quanto o Dr. Silva - devia ter cerca de 1,80m – mas mais robusto com uma leve barriguinha bem distribuída; braços fortes e um peito peludo maravilhoso! Sua bunda era tentadora: perfeita para encarar.
A banda havia parado exatamente onde eu estava; as marchinhas continuavam tocando enquanto todos brincavam e riam daquela situação inusitada – inclusive as famílias dos participantes assistindo tudo enquanto jogavam confetes e serpentinas pelo ar. De repente, senti alguém colocar a mão na minha parte íntima dura sem eu perceber.
“E aí gostosão! Vai ficar só assistindo? Coloca um salto e vem desfilar também!” Surpreso, olhei para quem me falava com aquele sorriso meio familiar; ele estava usando peruca loira combina com batom vibrante e mini-saia... tudo isso contrastando com uma barba já crescida há uns dias.
Soltei uma risada ao reconhecer Felipe, filho do dono do posto de gasolina da esquina. Ele deu uma piscadela antes de sair dançando pela rua novamente. Tive que esconder minha ereção colocando minha cadeira na frente.
Após alguns minutos ele retornou zombando dos espectadores ao parar na minha frente novamente: “Então? Vai ficar só olhando ou não?” gritou ele provocativamente enquanto todos riam às minhas custas.
Entrei na brincadeira: “Qual é Felipe!? Você definitivamente não é meu tipo! Prefiro aquele ali!” Apontei para Dr. Silva provocando mais risadas entre os presentes.
Ele se aproximou ainda mais: “Depois da praia passa lá em casa pra tomarmos umas cervejas.” Me lançou outro olhar sugestivo antes de voltar ao bloco alegra-se novamente na folia carnavalesca.Ainda atordoado com o convite inesperado e sem saber exatamente como reagir fiquei ali parado pensando sobre nosso passado juntos; nos conhecíamos há bastante tempo embora nunca tivesse pensado nele dessa forma até então!
Finalmente peguei meu ônibus rumo à praia onde passei todo dia tomando sol entre mergulhos mas sempre pensando naquele convite intrigante dele... Sai da praia logo cedo pra evitar aglomerações no retorno pra casa pois quis tomar banho rápido antes mesmo escolher bermuda confortável pra visitar Felipe após descobrir onde morava – perto do posto!
Achei fácil sua casa devido à música alta vindo dela – tocavam sambas enredo daquela época! As demais casas pareciam vazias porque seus donos provavelmente tinham viajado… Toquei campainha rapidamente sendo recebido pelo próprio Felipe: “Você ficou melhor sem peruca!” exclamou soltando gargalhadas enquanto eu entregava as latas resfriadas tiradas diretamente da geladeira.