A Viagem Inesperada
Ricardo tem agido de forma estranha, desde que me convidou para essa viagem, ele tem se mostrado um pouco distante. Conheço-o há bastante tempo e sei que está escondendo algo, mas não quero pressioná-lo, afinal ele acabou de terminar um relacionamento de dois anos — eu realmente não gostava dela — mas sinto que há algo diferente nele.
Nós somos amigos há nove anos; quando ele mudou para a minha rua, nos tornamos amigos imediatamente, daqueles inseparáveis. Compartilhamos tudo: nossas cartas de Magic, contas em serviços de streaming, nossa conta na Steam e até mesmo roupas — temos corpos parecidos, com ele sendo só um pouco mais alto do que eu. Há uma camisa dele que já considero minha por ter usado mais vezes do que ele. Ricardo é a pessoa em quem mais confio no mundo e gosto dele até mais do que do meu irmão biológico.
Todos os anos, Ricardo e sua família viajam para a praia em uma casa que possuem em Morro Branco, um lugar incrível no interior do estado. A primeira vez que fui convidado foi há cinco anos, logo após meu aniversário; foi um ótimo presente. Essa viagem se tornou uma das melhores da minha vida: dormimos tarde todos os dias e até pegamos insolação por ficarmos tanto tempo na praia.
Nos anos seguintes foi sempre a mesma coisa: nós éramos como feras soltas pela cidade. Nossa primeira experiência com álcool ocorreu no terceiro ano em que viajei com eles. Esse lugar é como nosso santuário. Mesmo quando Ricardo começou a namorar e eu tive que dividi-lo com sua ex-chata, contava os dias para nossa viagem; ela era religiosa e seus pais não a deixavam viajar conosco — bem feito!
Na quinta-feira passada, ele apareceu em minha casa quase chorando ao dizer que tinha terminado o relacionamento. Eles tinham terminado algumas vezes antes, mas desta vez ele me garantiu ser definitivo; não entendi muito bem o motivo, mas parece que ela queria que ele seguisse suas crenças religiosas e o Ricardo é o cara mais ateu que conheço — ainda mais do que eu! É loucura pensar no quanto ele suportou essa relação por dois longos anos.
Ele estava mal — de uma maneira que não via faz muito tempo — os dias foram passando e realmente pareceu não haver volta entre eles; até mesmo quebraram o recorde de três dias sem estarem juntos novamente — fiquei surpreso e perdi alguns reais nessa aposta! Na terça-feira seguinte, apareceu novamente na minha casa com uma expressão diferente: tímido como se estivesse escondendo algo de mim; pensei até em voltar com a ex chata sem querer me contar sobre isso. Ele fez o convite habitual: — Maikinho — sempre me chamou assim desde o começo da amizade — vamos no sábado pela manhã? — Claro! — respondi animado com a ideia da viagem. — Certo então, vou indo porque minha mãe pediu para fazer algo pra ela — quase não olhou pra mim enquanto falava; — Tranquilo! Me avisa quando for jogar depois? Sempre jogamos à noite pelo computador. — Hoje vou estudar — disse outra vez evitando olhar nos meus olhos. — Sem problemas! Nos despedimos e fui embora pensando no quão estranho estava seu comportamento.
Ricardo permaneceu estranho até sábado – quase parecíamos estar distantes – devido ao final do semestre da faculdade de engenharia elétrica dele; compreendi seu lado pois também fico maluco nesse período do jornalismo. Acordei antes dele naquele dia; levantei rapidamente para ajudar Dona Joana a preparar nosso café da manhã.
— Bom dia tia! — cumprimentei ao entrar na cozinha. — Bom dia Maik! — Ela tem muita semelhança com Ricardo: ambos têm cabelo loiro fino e liso além de um tom pálido na pele; quanto à altura e biotipo corporal ele puxou ao pai – Ricardo é magro beirando um metro e oitenta.— Cadê o Ricardo? — Dormindo ainda tia! — Ela estreitou os olhos percebendo a situação habitual onde nós acordamos juntos frequentemente; decidi deixá-lo ter um espaço adicional hoje. — Quer ajuda pra comprar pão? — Aproveita e traz croissant também Maik! — Ela me entregou o cartão junto com uma lista completa do mercado ali perto da rua.
Depois de cinco anos vindo aqui sinto-me em casa cada vez mais neste lugar; os amigos da família Vasconcelos pensam realmente que sou primo dele! Gosto dessa sensação de pertencimento à família deles – eles são pessoas incríveis sempre me trataram bem – fora o fato de seria genial ser parente verdadeiro do Ricardo!
Comprei tudo conforme solicitado e retornei para casa onde encontrei Ricardo acordando ainda desajeitado com seu cabelo bagunçado formando aquele ar nerd característico graças aos grandes óculos. Não sou muito diferente dele: sou magro também porém tenho cabelo preto bem curto por causa das regras militares dos meus pais – as maiores diferenças são os óculos redondos dele enquanto eu nunca usei nenhum tipo deles!
— Bom dia belo adormecido! Brinquei tirando sarro dele recebendo apenas um dedo médio como resposta. “Ricardo quantas vezes já te falei pra parar com esse gesto filho!” Sua mãe reprendeu ironicamente brincando atrás dele.
Por alguns momentos estávamos juntos tomando café como antes parecia voltarmos à normalidade ao menos comigo - discutindo sobre GTA novo quando Seu Mário–pai dele–chama nossa atenção: “Meninos vamos a Beberibe hoje” - cidade vizinha - “é aniversário dum amigo meu”. “Aii pai não estou afim!” protesta Ricardo desanimado, dizendo “só vai ter gente velha”. his mother intercede novamente “Ricardo!”. ele contesta “É verdade mãe todos amigos são chatos!”. Se fosse eu falando desse jeito pra meu pai certamente seria arrastado pra conhecer quem quer seja segundo minha mãe! ainda assim sugeri: his dad diz “Tudo bem mas voltaremos só no final da tarde.” vai perguntar “Vocês vão comer?” oferceço cozinhar pois comida feita por mim é garantia de sobrevivência! oferceço argumento: amor deixa eles ficam.” dona Joana advoga pela nossa causa confirmando sua confiança em mim.. a parte deste compromisso consiste garantir limpeza total após sair então teremos certeza disso..happens post-dinner; ainda sim iremos fazer isso agora mesmo prometemos conduta exemplar! depois acabarmos fomos pro quarto jogar FIFA logo sentados próximos…o ritmo entre nós sempre competitivo desde aquela partida inicial temos nossos pontos totais registrados..orgulho imenso pois venho ganhando ultimamente seja lá qual jogo for!. nous começamos jogadas pronto para empurrar limites entre adversários num confronto épico.. esperei meu amigo responder enquanto jogávamos pedindo confirmação necessitando saber se havia retornado ou continuariam mantendo segredos entre nós mesmos... avanços seguindo naturais então surprisingly surge pergunta durante uma das jogadas.. enquanto resistíamos uns aos outros cabia escolher novas palavras refazendo toda estratégia sem perder contato visualmente..