A Conversa no Galpão
Dirigi-me ao alojamento. Precisava satisfazer aquele desejo que parecia ter ganhado vida própria. Pensei em me deitar cedo para compensar a noite anterior, mas sentia como se um dragão tivesse tomado conta de mim. Algo ardente por dentro, pulsando entre as pernas, exigindo atenção. O vídeo gravado no meu celular parecia uma maldição que me prendia. Que me compelía. Que me atraía. As imagens, os devaneios, a masturbação… adormeci novamente envolto nessa confusão, com a mão ainda suja e a mente presa nos gemidos abafados dela no galpão.
A manhã foi tranquila. Como esperado, o Sr. Augusto nem se lembrou de que eu havia mencionado querer falar com ele. Durante o almoço na cantina dos funcionários, Dona Maria foi como sempre: protocolar e distante. Nada revelava o clima secreto que já pairava entre mim e Clara. Após o almoço, fui ao alojamento e tomei um banho longo. Vesti uma camisa limpa e uma calça de moletom sem cueca, desejando sentir o tecido grosso roçar diretamente na minha pele quente.
Quando vi o carro do Sr. Augusto saindo, dirigi-me para o galpão. Sentei em um banco no fundo com vista para a sede e fiquei esperando. Meu coração batia acelerado; só de imaginar já começava a endurecer novamente. Depois de uns quinze minutos, avistei Clara saindo da sede e acompanhei cada passo da sua aproximação ao galpão. A isca estava lançada.
Desta vez sua roupa era mais conservadora: calça jeans justa, camiseta e uma jaqueta leve. Parou na entrada do galpão e olhou para mim, seu rosto tenso como um fio esticado. — Entra aqui. Precisamos conversar. Ela caminhou em minha direção desviando das coisas espalhadas pelo chão até parar a cerca de três metros de mim, encarando meus olhos com expectativa misturada à ansiedade. — Então você não quer que eu conte para seu avô? Ela assentiu ligeiramente. — Refleti sobre isso durante a noite… E percebi que estaria traindo a confiança dele; afinal, tudo o que acontece aqui é algo que ele acredita que eu deve contar. O desespero em seu rosto aumentou enquanto sua voz saiu embargada: — Eu não sei o que está acontecendo comigo… Não sou assim! Meu avô não pode saber disso; será muito ruim pra nós dois! Fiquei alguns segundos em silêncio apenas observando-a enquanto absorvia sua vulnerabilidade. — Você precisa da minha ajuda, certo? Ela concordou novamente com um aceno sutil. — Olha… aquilo me tocou profundamente; tenho enfrentado momentos difíceis também. Se você me ajudar, posso te ajudar também. Ela olhou para mim com uma expressão questionadora ainda sem entender totalmente meu propósito até murmurar baixinho: — Tá bom… mas como? — Quero que você faça comigo exatamente tudo o que fez com aquele cachorro. Sua reação foi instantânea; seu semblante desmoronou como se estivesse prestes a cair no vazio sob seus pés enquanto seus olhos se arregalavam em espanto: — Não quero fazer isso — disse ela ainda fixando olhar em mim entre expectativa e súplica, sabendo muito bem da outra Clara além daquele papel fragilizado; escalonei mais pressão sobre ela: — Tudo bem então... Mas saiba que não poderei te ajudar caso não aceitemos isso juntos! Ela começou a chorar sentando-se no banco à minha frente com os ombros tremendo e as mãos cobrindo seu rosto. Esperei pacientemente até ela acalmar-se um pouco antes de levantar-me rumo à saída dos fundos quando ouvi sua voz quebrada: — Espera... enquanto enxugava as lágrimas nas costas da mão; fiquei aguardando; esse momento ela perguntou: ainda sobressaltada: você realmente quer saber? o mesmo gesto daquela vez eu apenas respondi — Sim... gostaria Ficamos nos olhando por alguns instantes longos antes dela finalmente consentir murmurando: — Vou precisar prometer nunca contar nada sobre isso... eu respondi afirmativamente... e sugeri: deslocarmos até atrás da churrasqueira onde era menos visível... deixei-a liderar seguindo-a silenciosamente pelos passos hesitantes dela até lá....